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Achei um bom Amigo!

Achei um bom Amigo!

Achei um bom Amigo

 

Se eu fosse fazer teologia teria que dizer: o Amigo foi quem me achou!

Se eu fosse colocar verdades na mesa diria:

             Como o Amigo pode me amar? A mim? Eu?

 

Mas a turma começou a tocar…

Se fez música. E a música me fez dizer: achei sim, achei sim, o Bom amigo.

 

Quando todas as estrelas já se foram, os navegantes observam uma, resiliente, gosta de bater papo com o sol. Nas cidades, iluminadas não se acha mais a “estrela da manhã. E, se nossos holofotes nos impedem ver o que está aceso diante de nossos olhos, o que dizer de encontrar “o Grande amigo”? Nossas cidades não querem ver Deus !

Nesta poesia, de Dezembro de 1881, cantamos ainda a beleza do lírio dos vales – que o autor traz como verso para falar da “beleza do Rei”. Mas sem querer ser redundante, quem de nós já viu lírios? Quem de nós verá vales?

A despeito da nossa inaptidão para achar metáforas pra Jesus, nossa alma canta; e canta uma poesia de 1881 em 2018. Eu fico me pensando quanta gente já foi alcançada por essa canção.

Este hino faz parte dos “Salmos e Hinos”, do “Hinário Evangélico”, do “Hinário Novo Cântico”, da “Harpa Cristã” e nas roupagens das novas gerações fica lindo demais. Dá pra cantar com vontade, o coração dança, se mexe dentro da gente, a respiração acompanha a métrica da canção.

Brinquei com a turma e disse: os anjos anotaram o arranjo pra tocar no céu: SENHOR olha que coisa legal os caras fizeram, e de repente os filhos de Coré pegaram seus instrumentos, Davi se levantou, sorriu e foi até a harpa. Asafe puxou o negro spiritual e todo mundo saiu cantando. E Deus sorriu.  

Eu fico imaginando Jesus, Pedro, Tiago e João tocando algum instrumento. Deve ter sido bem legal. Sei que na cabeça de muita gente não sobra tempo pra JESUS tocar instrumentos. Na cabeça religiosa de muita gente, Jesus era como alguém que precisa sempre dar resultados. Isso é coisa de gente estressada. E as igrejas estão repletas de gente estressada.  Não vejo assim. Vejo muita música.

As vezes vejo como em Amós, um violão/uma praça/ a multidão e as imprecações. Tem música nisso! Tanto é assim que no salmo 73 as pessoas pedem: cantem pra nós! A resposta do salmo: no exílio não há música!

Mas Moisés cantou do outro lado da África. Míriam fez música. É música pra tudo que é lado. Cânticos de Romagem subindo em direção à Casa do Senhor.  Cântico nos Êxodos, como no salmo 126. Tem música quando o filho (pródigo) volta pra casa. No Apocalipse, música e música de qualidade, com teologia de primeira. A letra versa sobre o Cordeiro, a música convida à adoração:

Digno és, Senhor nosso e Deus nosso,

de receber a glória e a honra e o poder;

porque tu criaste todas as coisas,

e por tua vontade existiram e foram criadas.

Quando João chorava diante do trono, após a restauração pela Palavra vinda, vinte e quatro anciãos cantavam: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação; e para o nosso Deus os fizeste reino, e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.

Fico me perguntando, então, por que tentaram tirar a festa de dentro das igrejas? Por que se permitiu que gente triste ocupasse os lugares de poder dentro das igrejas. Desapareceu a música, sobraram teologias. Na ceia, (quem lembra?) a música era fúnebre, a vestimenta, “oficial”.

O que quero propor com este artigo?  um pensar (de preferencia em tom maior).

Vi nos últimos anos as igrejas cantando lagoinha, Thalles, Apascentar e outros. É claro que tudo fala de um tempo e de um lugar. Mas se a Igreja é aquilo que ela canta, então, cantou muito mal?

Eu quero é Deus, alguém disse. Onde estão (agora) muitos dos que gritavam “não importa o que vão pensar de mim EU QUERO É DEUS”? Bom, pelo menos, era melhor que “restitui, EU QUERO de volta o que é MEU”…

Qual o maior equívoco de uma liturgia antropocêntrica? Avaliar a adoração pelo que acontece ao adorador. Desaparece o “TU”, utilizado com riqueza e profundidade para dirigir-se a DEUS, sobram versos em primeira pessoa. E o parâmetro passa a ser o indivíduo. Ora, avaliar a adoração pelo que acontece ao adorador é fazer dos homens, e não de Deus, o centro da mesma, constituindo-se em sério deslize; posto que o culto não é uma realidade antropocêntrica, mas Cristocêntrica.

Irmãos, se a liturgia cristã representa a celebração do povo reunido em nome de Jesus, certamente o é em função da ação poderosa de Deus; muito embora exista uma tendência comum de se adorar a Deus tendo em vista simplesmente o que Ele fez ou faz, a Igreja é, em primeiro lugar, uma comunidade litúrgica que adora ao Seu Senhor pelo que Ele é. No entendimento de Carl Hahn, “a Assembléia litúrgica é a Igreja enquanto expressão, em sua forma institucional”, a saber, aquela que sabe ser objeto da convocação do Senhor.

Sendo a adoração “a mais alta e nobre atividade da qual o homem, pela graça de Deus é capaz”, pode-se dizer que o modo de adorar caracteriza o ser humano em sua essência. Conforme afirma Leith:

A personalidade é moldada pela liturgia, pela própria natureza do culto, uma vez que nesse ato, mais do que em qualquer outro, a existência humana é posta em evidência. Os psicólogos têm observado a grande influência de atos frequentemente repetidos e nenhum é mais repetido na vida pública da Igreja do que o fundamental ato de prestar culto no dia do Senhor.

Antônio Gouvêa de Mendonça destaca algumas concepções que em muito obliteram o verdadeiro culto. Em sua análise à pesquisa de Émile Léonard, afirma o seguinte:

Émile G. Léonard, passando no Brasil pouquíssimo tempo, pôde fazer observações sobre nossas igrejas que dificilmente teríamos percebido como ele o fez. Vindo para ensinar história na Universidade de São Paulo, em 1948, ligou-se logo aos protestantes de São Paulo, especialmente aos presbiterianos (…) “Esse corpo, que é propriamente a Igreja, teria como divisa, para um protestante europeu, ‘adorar e orar’. Para o brasileiro, e não procuraremos saber se se trata, aqui, de um traço americano ou apenas de juventude espiritual – essa divisa será ‘aprender e trabalhar’. A expressão que designa, na Europa, a suprema finalidade da Igreja é a de ‘culto’ (ou seus equivalentes); no Brasil é ‘trabalho’, expressão empregada mesmo pelas denominações menos ativistas, como a episcopal”.

Assim, conclui o professor Mendonça que, de certa forma, há que se reconhecer que, em decorrência do processo de formação da Igreja Evangélica no Brasil, a relação dos adoradores com o Senhor terminou por se estabelecer como que na antessala, não provocando intimidade, “passando-se quase todo o tempo falando não com Deus, mas a respeito de Deus”. Logo, é imprescindível que se reconheça o Deus que supera a todos os anseios do coração humano, como o fez o Apóstolo Paulo quando afirmou tanto saber passar privações quanto viver em abundância(Fp 4.12), pois o sentido da vida não reside nestas coisas, mas, sim, na intimidade e no compartilhar da presença do Senhor. Entretanto, de certa forma, como fruto do trabalho missionário que se deu no Brasil esta relação perdeu o seu sentido libertador, como destaca este mesmo autor:

Não devemos nos esquecer de que a teologia da Era Missionária que se transferiu para o Brasil foi a dos “revivals”, que cristalizou a idéia de que todo culto é de evangelização, de consagração, de que todo culto é trabalho. A tradição dos ‘revivals’ aliou-se no Brasil, à tradição conservadora trazida desde cedo pelas missões americanas do sul dos Estados Unidos.

Em conseqüência disso, determinou-se que o fiel não pode ficar ocioso, não pode sequer descansar. Ele tem de estar ocupado, no ‘trabalho’. Isto não escapou à vista de Léonard quando analisou a multiplicidade de atividades e cargos existentes na igreja Brasileira:

A grande quantidade de atividades acaba preenchendo, não somente os domingos, mas também a maior parte dos dias da semana, envolvendo a responsabilidade de liderança e presença de praticamente todos os membros da igreja. Esse hábito implica na segregação social dos membros da igreja e, em muitos casos, impede até o convívio familiar, uma vez que a divisão de cargos dispersa os membros da família por lugares e horários diferentes. Há outros problemas que essa prática acaba produzindo, mas o que nos interessa aqui é a repercussão no culto. O cansaço de tantas atividades e a falta de criatividade acabam por fazer com que os líderes preencham os horários com cultos improvisados. Então, o excesso de cultos e a improvisação terminam por produzir um resultado desastroso: a banalização. O culto vem a ser, além de ‘trabalho’, uma coisa banal.

Há que se entender o real sentido do culto cristão, isto é, o regozijo de se estar na presença do Senhor da história, que, em Jesus, estabeleceu ter relação com o homem. Cristo é o sinal de pertença ao povo eleito do Senhor; nele, Deus reuniu a humanidade para viver em comunidade. Portanto, se o culto foi marcado fortemente pela subjetividade, em razão dos trabalhos missionários enviados ao Brasil, que transmitiram não o sentido de louvor e adoração originários, mas “uma liturgia de conversão-reconsagração, de culto-trabalho e de culto pedagógico”, há que se afirmar, como Spurgeon que:

A nossa única esperança, o nosso apelo exclusivo, continua dependendo unicamente da graça de Deus, conforme ela se manifestou na pessoa de Jesus Cristo. E estou certo de que devemos repelir decididamente e desconsiderar qualquer pensamento que conceba que as graças que possuímos, as quais são dons conferidos por nosso Senhor, que foram em nós plantadas pela Sua mão direita, poderiam ter sido a causa do Seu amor por nós.

Percebe-se, então, que o Eterno convocou um povo para Si. Nesta convocação santa e solene, comunitária por excelência, denominada “Culto cristão”, isto é, culto em nome de Cristo, Ele decidiu tabernacular com seu povo, para sempre. É por isto que o culto representa, em razão de sua importância, o centro de toda a vida cristã, pois ele é a expressão comunitária do povo separado pelo Senhor para adorá-lo “em espírito e em verdade”, conforme registrado no Evangelho de João 4.24.

Ao afirmar isto, quero destacar, a princípio, importante aspecto: a essência do Culto Cristão encontra-se não no adorador, mas no Adorado; não no povo que expressa a fé recebida, mas naquele denominado “Autor e Consumador da fé”: Jesus (Hb 12:1-2). É pressuposto do Culto Cristão que a iniciativa desta assembléia origina-se no Ser de Deus; ou seja, o Eterno é Ele mesmo o princípio e o fim do Culto, nEle “nós vivemos, nos movemos e existimos” (At 17.28), “dEle, por meio dele e para Ele são todas as coisas” (Rm 11.36).

Ora, afirmar isto é crucial, para toda e qualquer análise do culto cristão, pois, assim como é mister destacar que “o culto é o centro da vida da comunidade cristã”, mais ainda o é, que toda a iniciativa parte do Senhor, ou seja, o Deus Eterno já está presente quando decidiu convocar Sua assembléia; assim, Ele é o primeiro, a razão de todas as coisas. Justamente por isto, em todo o culto cristão a atenção deve centralizar-se em Deus, cujo Verbo se fez carne em Jesus Cristo. Ou ainda:

No culto a iniciativa cabe a Deus, como acontece em todas as suas relações com os homens. Assim, é Deus quem cria, busca, perdoa e dá poder; igualmente, é Deus quem atrai os homens a si mesmo, para servi-lo. No culto público Deus revela ao seu povo seu amor em Jesus Cristo, seu direito sobre suas vidas, sua permanente presença com eles e seu cuidado com toda a criação, a fim de que todos sejam um em Jesus Cristo, e venham a tornar-se semelhantes a Ele no dia de sua manifestação.

Uma vez que é no Culto do Senhor que o povo que se chama pelo Seu Nome reúne-se para adorá-lo; confessar os pecados; louvar ao Deus Eterno por seus atos na história; ler e ouvir a Palavra; confessar, em uma só voz, a fé; acolher aos novos pelo Batismo; participar da Eucaristia; bem como, receber do Senhor a bênção para viver a comissão de Cristo Jesus, fica evidente que o núcleo do culto encontra-se tão somente na ação do Senhor Deus, que “oferece sua vida ao homem, proporcionando, assim, que este possa dela participar”.  Exatamente por isto, nenhum membro da Igreja de Cristo pode negligenciar sua participação no encontro da comunidade dos fiéis em resposta ao mandado do Senhor, nem dele se ausentar, ou chegar após seu início, ou ainda, promover quaisquer atividades paralelas a este, tornando-se estas em faltas graves, posto que denotam verdadeira afronta à ordem do Senhor da Igreja para o encontro desta com Ele.

Percebe-se, então, que o homem foi criado para adorar; a adoração é o sentido, a essência do ser humano, o que evidencia que este está a serviço da Glória de Deus. Como não cultua sua própria imagem, o verdadeiro adorador reconhece que a vontade do Senhor termina por ser o referencial do culto; o seu enfoque é a glória de Deus, que é exaltada tanto na “santa atividade do eleito como na fútil violência do réprobo”. Assim, o culto não é instrumento para agradar ou satisfazer as vontades de determinadas pessoas ou grupos, é tão-somente, para a glória de Deus; sua finalidade é adorar ao Senhor, e diante desta verdade cessam-se todas as demais vontades.

Foi neste sentido, com o propósito de recuperar os elementos fundamentais do culto primitivo, a partir do texto de Atos 2.42, que Martin Bucer estabeleceu como componentes do verdadeiro culto a leitura e a exposição das Escrituras; a “Koinonia”principalmente no atendimento às necessidades prementes dos membros da igreja; os sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor; bem como a liturgia diária de orações lidas e espontâneas de confissão, súplica, intercessão, gratidão e bênção, incluindo o cântico de salmos e hinos.

Por ser este momento de adoração, para o qual o homem foi criado, o culto evidencia ser “o ato mais importante, mais relevante, mais glorioso na vida do homem”, pois como afirma o Catecismo Menor, em sua primeira pergunta, “o fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre”.

Esta é afirmação basilar, fundamental para toda a vida. Assim, em sua resposta, a Igreja destaca que o objetivo da vida não é o prazer centrado no próprio indivíduo, que muitas vezes aflora na opressão de seu semelhante; tampouco é o destaque para o homem como o centro da vida. Não, não é o antropocentrismo o suporte da vida cúltica; antes, o fim principal do homem é adorar ao Senhor, Criador dos céus e da terra. Logo, o fim principal do homem é o culto; o culto é a projeção da maturidade e solidez doutrinária da Igreja de Cristo.

Como afirma o professor Antônio Gouvêa de Mendonça, “a falta de consciência teológica, o ecletismo e a superficialidade nunca poderão produzir um culto sólido, que satisfaça plenamente aos anseios da alma cristã”. Exatamente por isto, repleto de significado é o encontro comunitário para o Culto do Senhor, uma vez que a vida cristã é uma vida litúrgica, influenciada fortemente por tudo o que se realiza neste encontro. O culto é, assim, meio de graça, pois nele encontram-se presentes os seguintes elementos: a Oração, a Palavra e os Sacramentos, que, de acordo com o ensinamento do Catecismo, “são os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção“.

O professor Mendonça traz importante destaque quando afirma que oitenta e oito por cento do que se canta no Culto tem ênfase em Jesus Cristo. Tal constatação traz à Igreja séria indagação: a Igreja vive o que canta? Ou ainda, se Jesus Cristo é o centro de tantas canções, então por que permanece a ênfase nas decisões personalizadas, nas necessidades individuais em detrimento às questões comunitárias? Ou ainda, por que se destaca a necessidade de um envolvimento diferenciado, Pneumatocêntrico, como se a Trindade estivesse dividida?  

Há que se recuperar os pressupostos que alimentaram a fé dos Pais da Igreja, isto é, que o culto reformado “é exercido em nome de Cristo, de acordo com os preceitos bíblicos, pela intercessão poderosa do Espírito Santo de Deus, que traz à lembrança os atos do Senhor na história”. Portanto, é a Palavra de Deus que torna possível o culto cristão; é desta Palavra e pela Palavra de IAHWEH, a saber, Jesus Cristo, que a Igreja recebe doutrina e exerce a missão; sem esta, de nada valeria o esforço humano, pois o povo de Deus se reúne para anunciar e celebrar “os feitos salvadores de Deus em Cristo”. Sendo Cristológico, o culto reformado se dá em torno da Palavra que se cumpre em Jesus, pois Ele é a exata expressão do Pai (Hb 1.3).

Qualquer desvio destes princípios torna-se em sério deslize. É o que denuncia Paul Freston quando afirma que houve uma deplorável inversão de valores no culto do Senhor. Nesta, “Jesus e o Espírito Santo foram convertidos nos produtores mais eficazes dos bens de consumo religioso”. A estas palavras, Salinas destaca:

Basta apenas fazer uma análise das canções contemporâneas que são cantadas em nossas igrejas. Quantas mencionam ‘sentir’, ‘ver’, ‘apalpar’, ‘tocar’ e outras experiências de sentidos? Ou visto de outra forma, quantas falam de ‘compromisso’, de ‘obediência’, da ‘cruz’ e do ‘sofrimento’, temas que têm destaque no Novo Testamento? Será que deixamos de ir às Igrejas para ‘render culto a Deus’ e estamos tornando nossas reuniões cada vez mais antropocêntricas e fazendo com que sejam uma oportunidade para inflar a nossa autoestima? (…) Estamos mudando o conteúdo pelo estilo, a verdade pelas impressões, a base da fé por emoções, o compromisso por espetáculo, a vocação pela manifestação psicológica, o arrependimento pela decisão sem mudança de vida, a centralidade da Palavra pela hegemonia dos sentidos. Estamos dando a esta geração um alimento que não satisfaz, que não nutre, um ensino que não edifica e um sentido deformado de Deus. Muitas vezes é somente o que querem, e não o de que necessitam.

Uma vez que a assembléia cúltica é uma realidade dos salvos, isto é, daqueles que “foram resgatados do império das trevas para a Sua maravilhosa luz” (IPe 2.9b), a grande característica deste povo que se chama pelo nome do Senhor, que O reconhece como princípio e fim, reside na fé e na obediência. Sim, quer conhecer alguém que foi feito nova criação? Observe se em sua vida são facilmente encontradas as marcas daquele que, pela fé, obedece ao mandado do Senhor.

É em razão desta resposta de fé e obediência que tem lugar a adoração; posto que é justamente o povo convocado pelo Soberano Deus, Criador dos céus e da terra, que a este chamado atende: não o de agigantar-se na comunidade dos fiéis, não o de procurar os seus próprios interesses, não o de procurar exigir ou determinar aquilo que o Soberano Deus deveria ter feito ou venha a fazer; mas, antes, a renúncia  de seu pensamento e volição, para tão somente desfrutar da presença do Senhor, diante de quem todas as demais vontades são submetidas e entregues por, em e para Cristo Jesus. Como afirma Von Allmen, “a adoração cristã é um encontro entre o Senhor que, mediante o Espírito Santo, age na Palavra e nos Sacramentos, e o Seu povo, que O responde em fé e obediência”

É Justamente por isto que a CFW destaca:

O Culto religioso deve ser prestado a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo – e só a Ele; não deve ser prestado nem aos anjos, nem a qualquer outra criatura; nem deve, depois da queda, ser prestado a Deus pela mediação de qualquer outro, senão unicamente a de Cristo.

Uma vez que, “a questão fundamental do culto é a proximidade de Deus como o Deus e Pai do Senhor Jesus Cristo que a nós se revelou. Todo verdadeiro culto é modelado não pelos desejos humanos, mas pela manifestação que Deus faz de si mesmo. Há, no Culto centralizado em Cristo, uma dupla confissão: quem Deus é, e quem é o homem. O Senhor Deus é o Adorado, razão de todas as coisas, socorro do Seu povo; o povo que se chama pelo Seu nome é o objeto de Sua graça e misericórdia, são os socorridos por Aquele que criou todas as coisas. Como bem destacava o reformador de Genebra: “O nosso socorro está em o nome do Senhor, Criador dos céus e da terra” (Sl 124.8).

Portanto, celebra-se no Culto, tão-somente, a história da Salvação; nele é constantemente resumido e confirmado, sempre renovando-se, o evento que veio dar significado à vida dos homens: Cristo. Nesse resumo e nesse encontro, Cristo continua sua obra salvífica por meio de Seu Santo Espírito”. Como bem definiu João Crisóstomo (374-407 AD):

Se Cristo não tivesse nascido na carne, Ele não teria sido batizado, o que vem a ser a teofania [epifania] , nem teria sido crucificado [e ressuscitado] , o que vem a ser a páscoa, nem teria enviado o Espírito, o que vem a ser o Pentecostes.

É no Culto do Senhor que a Igreja descobre a sua identidade, à medida que sua verdadeira natureza é tornada manifesta e ela é levada a confessar sua própria essência; o culto cristão é a auto-revelação de Deus  em Jesus Cristo e a resposta do ser humano, logo, de acordo com o professor Hoon, “trata-se de uma ação recíproca: Deus toma a iniciativa dirigindo-se a nós por meio de Jesus Cristo e nós respondemos por meio de Cristo, usando uma variedade de emoções, palavras e ações”.

Como Irineu, pode, então, a Igreja afirmar:

Nós seguimos ao único Mestre verdadeiro e firme, o Verbo de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, o qual, mediante o seu amor transcendente, se tornou o que nós somos, a fim de que nos transformássemos naquilo que Ele mesmo é.

Soli Deo Glória.

Hoje já é terça-feira, meu coração continua cantando:

Achei um bom Amigo, Jesus, o Salvador,

Dos milhares o escolhido para mim.

Ele é a luz do mundo, o forte Mediador,

Que me purifica e guarda até o fim!

Consolador amado, meu protetor do mal,

Ele pode dar alívio ao meu pesar.

Ele é a luz do mundo, a Estrela da manhã,

Dos milhares o escolhido para mim.

 

Levou-me as dores todas, as mágoas lhe entreguei.

Nele tenho firme abrigo em tentação!

Deixei por ele tudo, os ídolos queimei!

Ele faz-me puro e santo o coração!

Que o mundo me abandone, persiga o tentador,

Meu Jesus me guarda até da vida ao fim.

 

Jamais me desampara, nem me abandonará,

Se fiel e obediente aqui viver!

Está sempre ao meu lado, e me protegerá,

Até quando face a face o possa ver!

Então, aos céus subindo, na glória eu me verei

Com Jesus, meu Salvador, morando, enfim.